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FILHO DE VINICIUS DE MORAES ABRE EXPOSIÇÃO DE FOTOS EM HOMENAGEM AO PAI, INSPIRADO EM SEU POEMA PARA O POVO BRASILEIRO
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"Pátria Minha" (projeto Nossa Gente), fotografias de Pedro de Moraes
Na Sé, poesia de Vinicius de Moraes inspira seu filho em mostra de fotos que retrata 50 anos de imagens do povo brasileiro
Em 1968 o poeta e diplomata Vinicius de Moraes lançou o livro "O Mergulhador", que trazia sua poesia ilustrada com fotografias de seu filho Pedro de Moraes. A inspiração em um de seus poemas, "Pátria Minha", resultou na exposição de fotografias que Pedro de Moraes realizará, em homenagem a seu pai, na CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111), a partir de 11 de julho. A entrada é franca.
Com curadoria de Érica Rocha, a exposição apresenta uma seleção de 32 fotografias da produção de 50 anos de trabalho intenso do fotógrafo (de 1958 a 2007), em locais como Bahia, Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo, Maranhão, Fortaleza, Rondônia e Mato Grosso do Sul.
"Pedro de Moraes, com essa exposição, faz uma homenagem a todos os trabalhadores brasileiros. E é também uma exposição voltada aos jovens, pois mostra neste mundo digital a importância da preservação da fotografia analógica", ressalta a curadora.
Ela explica que Robert Capa, o autor da frase "Se as tuas imagens não são suficientemente boas, é porque não estás suficientemente perto", influenciou Pedro de Moraes a manter uma proximidade dos personagens, mostrando uma relação emocional com os assuntos e tendo um comprometimento ideológico no momento de fotografar.
São imagens que representam a nossa terra em seus mais variados aspectos: a fome e a morte, o misticismo e a espiritualidade, a festa e a alegria, tudo estampado nos rostos de anônimos, que, com generosidade, dividiram seus momentos com as lentes do artista.
A exposição "Pátria Minha" ficará em cartaz de 11 de julho a 10 de agosto, de terça a domingo, das 9h às 21h. A entrada é franca. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (11) 3321-4400 ou no site www.caixacultural.com.br.
O fotógrafo:
Pedro de Moraes nasceu no Rio de Janeiro em 1942. Autodidata, aos 12 anos iniciou sua carreira freqüentando o estúdio fotográfico dos irmãos José e Humberto Franceschi.
Como fotógrafo freelancer trabalhou para publicidade, arquitetura, foto industrial, moda, jornalismo e cinema. Sua fotografia foi muito influenciada por fotógrafos como Henri-Cartier Bresson, Robert Capa, Man Ray, Robert Doisneau, Richard Avedon entre outros do período e pós período da Segunda Guerra Mundial. Foi militante fotográfico durante a ditadura.
Em seu acervo fotográfico constam cerca de 15.000 negativos.
O poema
Pátria Minha
Vinicius de Moraes
A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.
Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.
Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.
Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...
Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!
Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.
Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.
Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamem
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!
Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.
Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.
Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama...
Vinicius de Moraes."
Texto extraído do livro "O Mergulhador, de Vinícius de Moraes e Pedro de Moraes, Editora Argumento - 2ª edição, Rio de Janeiro,2002.
SERVIÇO:
O quê: "Pátria Minha", exposição de fotos de Pedro de Moraes
Quando: de 11 de julho a 10 de agosto, de terça a domingo, das 9h às 21h
Onde: CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111)
Quanto: entrada franca
Informações: (11) 3321-4400
Abertura para imprensa e convidados: dia 10 de julho, às 19h30
Recomendação de faixa etária: livre
Realização: CAIXA Cultural
Patrocínio: CAIXA Econômica Federal
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